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Tribunal do crime: Facção sequestra homens e executa um em Bom Jesus do Araguaia

Ação rápida da Polícia Militar evitou uma segunda morte e prendeu os suspeitos em flagrante; sob a nova Lei Antifacção, penas podem ultrapassar 136 anos de prisão.
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Uma ação ininterrupta da Polícia Militar desarticulou um "tribunal do crime" e resultou na prisão em flagrante de três integrantes de uma organização criminosa na noite de 25 de maio de 2026, no município de Bom Jesus do Araguaia (MT). A captura do grupo ocorreu logo após os criminosos manterem dois homens amarrados em cárcere privado e executarem a vítima José Inácio de Jesus Brito com um tiro na cabeça. A intervenção rápida das guarnições evitou que a segunda vítima fosse assassinada e inaugurou na região a aplicação da recém-sancionada Lei Antifacção, cujas implicações penais determinam que a soma das penas máximas em tese pode chegar a 136 anos e 8 meses de reclusão para cada investigado.

O delito teve início quando José Inácio e a vítima sobrevivente se dirigiram a um ponto de venda de drogas na Vila Planalto. No local, os suspeitos de iniciais L.R.J. e N.R.B. submeteram os compradores a uma triagem forçada, vasculhando os aparelhos celulares de ambos. Ao encontrarem uma fotografia que supostamente vinculava José Inácio a uma facção rival, a dupla sacou uma pistola, amarrou as vítimas com cordas e as manteve sob forte ameaça por cerca de três horas. Para executar a punição, os traficantes acionaram N.G.C.S., homem apontado como o "disciplina" responsável por garantir e executar as ordens do grupo criminoso.

Com as vítimas subjugadas, o executor as transportou até uma estrada de terra nas margens da rodovia BR-158, próximo ao Posto do Arnon em direção a Porto Alegre do Norte, onde José Inácio foi assassinado com um tiro na cabeça. No exato momento do disparo, o sobrevivente aproveitou uma distração, correu em direção a uma lavoura de milho sob os tiros de N.G.C.S. e conseguiu alcançar a rodovia para pedir socorro a motoristas. Foi a partir do relato exato dessa testemunha que a Polícia Militar fechou o cerco, localizando a base do grupo e apreendendo porções de maconha e cocaína prontas para a venda. Percebendo a aproximação veloz das viaturas, N.G.C.S. utilizou combustível para incendiar o próprio celular até destruí-lo por completo, uma manobra para apagar comunicações da facção e esconder a identidade de um quarto envolvido.

Ao receber o flagrante, o delegado de Polícia Civil Victor Donizete de Oliveira Pereira representou de imediato pela prisão preventiva dos três acusados, sem direito a fiança. De acordo com o delegado, a acusação foi feita no rigor da nova Lei nº 15.358, que entrou em vigor em 24 de março de 2026, sendo este caso em específico, o primeiro registro de enquadramento criminal do tipo registrado no estado de Mato Grosso até o momento. Além de responderem por homicídio qualificado consumado, homicídio tentado, tráfico de drogas com pena dobrada e fraude processual, o grupo foi indiciado pelo novo crime de "domínio social estruturado". Na prática jurídica, isso significa que a lei agora pune de forma autônoma e cumulativa o ato de usar o terror armado para impor o controle sobre a comunidade, justificando o acúmulo extremo das penas solicitadas.
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