CUIABÁ - O deputado estadual Dr. Eugênio usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Mato Grosso para pedir à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) a revisão da mudança no fluxo de distribuição de medicamentos destinados a pacientes renais crônicos. A manifestação ocorreu após a Farmácia de Alto Custo do Estado (CEAF) alterar a forma de distribuição dos medicamentos utilizados por pacientes em tratamento de hemodiálise.
Pela nova regra, as clínicas de nefrologia deixarão de receber diretamente os medicamentos destinados aos pacientes. A partir de agora, a retirada deverá ser feita individualmente pelos próprios pacientes ou representantes autorizados, diretamente nas unidades do CEAF ou nas farmácias municipais. Os pacientes ficarão responsáveis pelo armazenamento e conservação das medicações em casa, muitas delas com necessidade de controle rigoroso de temperatura.
Segundo a SES, a medida busca adequar o fluxo às normas vigentes, garantindo que a distribuição seja feita diretamente ao paciente. A secretaria também afirma que os pacientes não ficarão desassistidos e que o modelo segue o padrão já utilizado para outros medicamentos especializados.
No entanto, a decisão gerou forte reação entre médicos nefrologistas, clínicas e pacientes renais crônicos. Presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, Dr. Eugênio classificou a situação como preocupante e afirmou que a medida pode trazer impactos negativos principalmente aos pacientes mais vulneráveis do interior do estado.
Ele lembra que muitos dos medicamentos exigem armazenamento adequado, incluindo controle de temperatura. Após a retirada pelo paciente, o acondicionamento na residência pode representar risco à conservação correta dos produtos.
“As clínicas de hemodiálise já têm geladeiras próprias para armazenar os medicamentos dos pacientes que são dialisados. O que está se criando agora vai ser mais uma dificuldade para o paciente que já tem o estresse antes da hemodiálise, o estresse depois do procedimento, e agora vai ter o estresse de pegar o medicamento na Secretaria Municipal de Saúde e guardar em sua residência. São decisões de quem não conhece o dia a dia do paciente.”, afirmou o parlamentar durante pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa.
Dr. Eugênio também chamou a atenção para a possível falta de estrutura especializada nas secretarias de saúde, em alguns municípios. “As secretarias municipais de saúde nem sempre estão equipadas com geladeiras adequadas para armazenar esse medicamento.”
Quem também se manifestou sobre o assunto foi o deputado Dr. João de Matos, destacando que as novas regras dificultam o fluxo de distribuição de medicamentos. “Vai dar um trabalho danado. Cada dia que passa parece que estão querendo inventar novamente a roda, ao invés de facilitar a vida do paciente.”
O deputado Dr. Eugênio informou que deve solicitar oficialmente à Secretaria de Estado de Saúde a revisão do modelo adotado, defendendo uma solução que preserve a segurança dos pacientes e mantenha um atendimento mais humanizado. (AScom)

